Diante de tantas opções,
Me sinto em desvantagem.
Afinal, porque você escolheria alguém como eu?
Sempre tive esse sentimento bem guardado que a solidão nunca me abandonaria. Os olhos pareciam sempre distantes, o som era interpretado somente na escala menor dos orifícios humanos. Nada de tão sublime me açoitava, me inquietava, o mundo era aquarela e eu apenas um medíocre fazedor de estatuetas de jardim. De certo fazia lindos cataventos coloridos que entrelaçavam-se no vento que derrubava meu desencanto solar. E a noite se aproximava junto ao canto das cigarras deslumbradas a comemorar mais um dia de suas vidas. Naquele dia eu te vi. Vi você em teus olhos. Eu cresci com a ideia de que meu futuro seria solitário. Mas você me derrubou com seu sorriso bobo e com essa cara de vagabundo. Traz alegria pra minha alma, desperta um “eu” que a tanto tempo perdi, esqueci ou nem mesmo vi. E no tilintar dos cataventos na varanda, na rede de almofadas de nuvens, o salto do coração apaixonado em sorrisos e olhares jamais esquecidos. Hoje acredito num futuro diferente. Seu amor carrega a gente pra um lugar, lá tudo tem vida, lá não existe espaço pra solidão.
Feito catavento,
Escritório da Prosa: um produção coletiva de Fábio Steffano e Elisa Bartlett.
(via oxigenio-dapalavra)
O vazio
invisível
espreme
a alma
imbatível
não se pega
não se mata
só dilacera
e maltrata.

